Após mudarem o mercado do resell, qual o futuro da StockX e de Josh Luber?

Após mudarem o mercado do resell, qual o futuro da StockX e de Josh Luber?

Por RODRIGO DHAKOR

Por Rodrigo Dhakor

A StockX, que opera uma plataforma on-line de compra e venda de tênis, roupas, bolsas, acessórios e relógios, nos últimos meses foi avaliada oficialmente como empresa unicórnio (startup que possui avaliação de preço de mercado no valor de mais de 1 bilhão de dólares).

Entre todos os movimentos de crescimento e após a rodada de financiamento da Série C liderada pela DST Global, a startup com sede em Detroit também em junho 2019 anunciou que seu co-fundador Josh Luber, deixara o cargo de CEO e fora substituído por Scott Cutler, antes vice-presidente sênior do eBay e que também ocupou cargos de liderança no StubHub e na Bolsa de Valores de Nova York. Luber permanece ativamente envolvido com a empresa (mas não assumiu um novo cargo) e apenas continua no conselho administrativo.

(Foto Business Insider)

O crescimento da StockX e do mercado on-line – antes considerados um mero nicho de entusiastas – está obrigando as marcas e as lojas de tênis a repensar o potencial dos sites de revenda como canais legítimos de distribuição. Em fevereiro, a Foot Locker investiu US$ 100 milhões na GOAT Group e declarou que as duas empresas "juntariam forças nas plataformas digital e física". Já o site de luxo Farfetch adquiriu o Stadium Goods, bancado pela LVMH, por US$ 250 milhões em dezembro.

"A internet e o eBay fizeram da revenda um comércio caseiro", afirma Matt Powell, analista do NPD Group. "Plataformas como a StockX a transformaram em um negócio".

Para marcas de tênis como Nike e Adidas, a iniciativa de Luber deram outra aura a seus modelos mais cobiçados, como os Jordans e os Yeezys. Por enquanto, as empresas preferem não se envolver nos mercados on-line. O diretor financeiro da Nike chegou a declarar, em março, que a empresa não tinha interesse em revenda, nem planos de parceria e estratégias nesse sentido.

Mas, se as marcas de tênis não captam receita de revenda, elas se beneficiam indiretamente da movimentação financeira que esse mercado gera. Por isso, dosam cuidadosa e secretamente o abastecimento de seus produtos mais disputados, fazendo os preços de revenda dispararem, segundo John Kernan, analista do Cowen

Os planos de futuro da StockX estão a par de Scott Cutler, que deverá trabalhar com a lógica de que mais empresas irão virar suas atenções para o resell. "Nike, Adidas, Louis Vuitton, Gucci, Rolex, essas empresas certamente não ignoram os mercados on-line, nem têm a ingenuidade de negar que os canais de distribuição estão evoluindo", afirma.

 (Foto Highsnobiety / Akhil Sesh)

Luber pensa ainda mais longe: quer substituir os preços estáticos do varejo – um "conceito antiquado", segundo ele – por um estilo de compras mais parecido com o do mercado de ações. Nesse modelo, os compradores dariam lances por produtos novos e os preços seriam definidos exclusivamente por oferta e demanda.

Luber reconhece que a ideia pode parecer absurda a princípio. "É loucura dizer às marcas que nossa intenção é descartar preços de varejo, mas esse é o grande projeto em longo prazo", explicou.

A StockX está trabalhando a ideia, e já promoveu uma OPI (Oferta Pública Inicial) de um lote limitado de sandálias assinadas por Ben Baller, famoso designer de joias. A empresa conduziu uma espécie de "antileilão" para definir qual comprador levaria as sandálias e por qual preço. O resultado rendeu uma média de valor a US$ 210,00 por par, o triplo do valor estimado no retail, mas mais barato que a maioria dos lances. (Aprox. R$ 866,00. Cotação do Dólar em 14/10/2019).

O lançamento despertou o interesse de outras marcas. Segundo Luber, a StockX está negociando meia dúzia de lançamentos semelhantes com outros designers. "A mudança não vai ser da noite para o dia, mas é perfeitamente lógica", acrescenta.

Enquanto isso, a StockX investe ainda mais na revenda de artigos de luxo, como bolsas e relógios, área atualmente dominada pela The RealReal, uma startup de San Francisco que abriu suas ações em junho.

Está claro para Luber que a cultura dos tênis mudou irreversivelmente. Não se trata mais de simplesmente querer encontrar um tênis que ninguém tem, e para isso ele precisa reinventar o varejo e mudar o modo de como as pessoas compram, embora ele admita que não sabe quanto tempo levará até que isso aconteça. 

Por enquanto, o StockX continuará vendendo, tentando combater a falsificação desenfreada que afeta os tipos de transações e também apostando em pequenos OPI'S, mas o objetivo final permanece claro: Luber e StockX mudaram o mercado de revenda e o próximo passo é mudar o mercado do retail.