As maiores deserções do mundo dos sneakers

As maiores deserções do mundo dos sneakers

Por Rodrigo Dhakor

A deserção é uma terminologia militar e significa o abandono do serviço ou posto por um indivíduo em labor sem permissão de um superior, feito com o intuito de não regressar à sua posição ou função.

Na maioria dos países que mantêm forças armadas permanentes, a pena para deserção costuma ser prisão ou expulsão. Em tempos de guerra, era comum a execução de desertores, mas esta prática caiu largamente em desuso, porém ainda é prevista a pena de morte em que o desertor tem que ser morto em caso de época de guerra na legislação brasileira.

Podemos desse mesmo modo, associar essas ações ao que aconteceu e acontece ao longo do tempo dentro do universo das mais celebres marcas de calçados, envolvendo várias trocas de lealdade no decorrer de suas histórias.

As "deserções" ou melhor dizendo, rupturas no setor de tênis mudaram completamente a trajetória de algumas marcas e até causaram a criação de novas. 

Pular do barco nessa indústria é tão comum quanto manter o ritmo da embarcação em relação aos movimentos das ondas. Alguns conseguiram o sucesso que pretendera, outros apenas "trocaram gato por lebre". Baseado nas informações do site Sneakerfreaker, abaixo estão algumas das maiores deserções da indústria de tênis. 

Rudolf e Adolf Dassler - Gebrüder Dassler Schuhfabrik a história da Puma e Adidas

(Foto Wordpress)

Provavelmente você já sabia que a Adidas e Puma são marcas alemãs. Mas você também sabia que as duas marcas foram fundadas por dois irmãos?

A história das marcas se inicia no começo dos anos 20 na cidade de Herzogenaurach, quando Adolf Dassler fazia os primeiros sapatos esportivos na lavanderia da sua mãe. Poucos anos depois, o irmão mais velho, Rudolf Dassler, une-se a Adolf e eles fundam a “Gebrüder Dassler Schuhfabrik” (“Fábrica de sapatos dos irmãos Dassler”) em 1924.

Os Dasslers (com personalidades diferentes) tiveram sucesso inicial durante as Olimpíadas de Amsterdam, em 1928, quando alguns atletas utilizara os sapatos produzidos pela empresa dos irmãos. Em 1930 a fábrica já produzia anualmente 10.500 tênis de corrida e 18.500 chuteiras. Mas o sucesso mesmo veio nas Olimpíadas de 1936, que acontecem em Berlim, durante o governo de Adolf Hitler. Apesar dos irmãos serem filiados ao partido nazista, Adi Dassler viaja até Berlim e convence o atleta afro-americano Jesse Owens a usar seus sapatos as competições.  Com os tênis dos irmãos Dassler, Jesse Owens  ganha 4 medalhas de ouro.

Apesar de todo histórico literal, em 1949, os dois irmãos se desentenderam e acabaram se separando para formar suas próprias empresas: a Puma de Rudolf Dassler e a Adidas de Adolf Dassler . 

Diz-se que os irmãos Adi e Rudi permaneceram até seus últimos dias sem trocar uma palavra um com o outro e quando morreram nos anos 70 foram enterrados no mesmo cemitério, mas em lados opostos.

Em 2009, para selar o fim da rivalidade, acontece um jogo de futebol amistoso entre os times das duas empresas. Em novembro de 2017, os CEOs das duas empresas se apresentam conjuntamente em um evento e enfatizam o fim da rivalidade das empresas.

Hoje, Adidas e Puma estão entre as maiores empresas de artigos esportivos, empregando milhares de pessoas mundialmente. Sem dúvidas a competição entre as duas permanece – a competição para fazer os melhores produtos, para patrocinar os melhores esportistas, etc.

 

 

Rob Strasser e Peter Moore - Nike para Adidas

(Foto brandknewmag)

O ex-vice-presidente da Nike, Rob Strasser, e o ex-diretor de criação Peter Moore, foram duas peças fundamentais na jornada que atraiu Michael Jordan para fazer parte da marca do Swoosh. Jordan se tornou o rosto de sua própria linha e Moore era o designer-chefe do tênis, que em breve seria conhecido pelo restante da vida como Air Jordan 1

No entanto, o período de lua de mel deste acordo monumental acabou rapidamente. Em 1989, com a empresa na encruzilhada, o CEO René Jäggi convidou dois ex- gerentes da Nike , Peter Moore e Rob Strasser , para visitar a Adidas. 

Moore se lembra daquela primeira reunião. Eles foram levados para um pequeno museu de artefatos na sede da empresa. "Demorou apenas cinco minutos no museu até eu perceber que essas pessoas tinham uma mina de ouro em suas mãos e que realmente não tinham ideia do que possuíam", disse Moore. 

Os ex- gerentes da Nike viram que o núcleo da empresa havia sido a abordagem prática de inovação de Adi Dassler- sua filosofia de artesanato industrializado, assim como sua proximidade com os atletas e sua compreensão íntima de suas necessidades. Moore e Strasser recomendaram renovar a abordagem de Dassler e desenvolveram uma nova linha de produtos chamada Adidas Equipment. Ou seja, aquela altura Strasser já havera deixado a Nike fora para a Adidas, seguido posteriormente por Moore. 

Em seu livro de memórias, Shoe Dog , o co-fundador da Nike, Phil Knight, descreveu a "deserção" de Strasser como uma "traição intolerável" e, infelizmente, eles não tiveram a oportunidade de refazerem as pazes antes que Strasser falecesse em 1993.

Entrou em cena Tinker Hatfield, que criou o lendário Air Jordan 3. Agora imagina mesmo o que seria da Nike se Jordan tivesse também se juntado a Strasser e a Moore como parte do time da marca das três listras? 

 

 

Andre Agassi - Da Nike para Adidas, depois a volta para a Nike

(Foto Solecollector)

Andre Agassi levou para às quadras de tênis no início dos anos 90 uma certa combinação de estilo extravagante de jogo relacionado com a moda, com shorts e camisetas coloridas, além do famoso tênis Nike Air Tech Challenge em cores como neon .

Ele passou 17 anos na Nike e depois desse tempo trocou a empresa pela rival Adidas. O desenlace foi traumático, cheio de críticas do norte-americano. Um dos principais motivos para isso, segundo o atleta, era a falta de comprometimento da marca com os projetos sociais que ele mantinha.

O acordo foi assinado pelo empresário do ameircano, Perry Rogers. Rogers disse hoje que o acordo era um sonho da Adidas que também pretendia ajudar na Instituição que Agassi mantinha com sua esposa Steffi Graf que por toda sua carreira teve a firma como sua patrocinadora. 

O ano era 2005 e Agassi dizia por aí que a marca da Three Stripes estava particularmente disposta a apoiar financeiramente sua fundação de caridade. A instituição foi fundada em 1994, quando ainda estava na ativa, uma fundação para unir educação infantil e atividade física.

Mas oito anos depois de deixar a Nike para assinar com a Adidas, Agassi se reuniu com a marca do Swoosh novamente em 2013.

A Nike confirmou que o Hall of Famer estava de volta em seu território por meio de um comunicado de imprensa que incluía esta citação de Agassi:

"A Nike abriu novos horizontes por meio da campanha Designed to Move, ao mesmo tempo em que defende de maneira consistente e histórica a saúde e o condicionamento físico. A volta por meio dessa parceria terá um efeito multiplicador sobre esta e as futuras gerações". 

"Como um dos maiores jogadores de tênis, Andre Agassi representa a paixão, a dedicação e a determinação da marca Nike. Como um filantropo, ele continua a compartilhar o comprometimento da empresa com a inspiração das novas gerações", disse Phil Knight, co-fundador e presidente da Nike.

 

 

Denis Dekovic, Mark Miner e Marc Dolce - da Nike para a Adidas

(Foto @marcdolce)

Três designers da Nike ousaram deixar a empresa no final de 2014 ... e receberam um processo de US $ 10 milhões. Após quantidades consideráveis ​​de passagens no tribunal, o trio ficou livre para começar seu trabalho na Adidas em 2016, almejando projetos ambiciosos fora da Brooklyn Creator Farm.

Foi um grande golpe para a Nike, pois cada um dos designers era envolvido em algumas das maiores inovações da empresa nos produtos de futebol, basquete, corrida e roupas esportivas. 

Por exemplo, Denis Dekovic trabalhou na bem-sucedida linha Magista, Mark Miner atualizou a série Free Run + e Marc Dolce foi responsável pelo projeto Lunar Force 1, hoje ele é o atual vice-presidente e diretor criativo da Adidas Advanced Concepts.

 

 

Kobe Bryant - Do patrocínio da Adidas para Nike

(Foto Nice Kicks)

Enquanto a maioria dos desertores dessa lista passou da Nike para a Adidas, a trajetória de Kobe Bryant segue o contrário. O astro da NBA começou sua carreira de jogador com o patrocínio da Adidas, gerando uma linha de tênis que era bastante interessante durante a era da AFJ, mas acabou sendo bastante desapontadora. 

Durante sua fase de Free agents – em português, "agentes livres" ( quando os jogadores não têm mais um contrato e estão livres para iniciar sua história em outra equipe. Isso ocorre quando os atletas cumpriram seu contrato pela franquia e não assinaram uma extensão) entre 2002-2003, Kobe teve flertes com quase todas as principais marcas de tênis: AND1ConverseReebokJordan Brand e, claro, Nike.

As determinações contratuais significavam que ele não poderia assinar nenhum acordo até 2003, mas todos já sabiam qual tênis ele usaria no final das contas. O resto é história, incluindo inúmeras interações em mais de uma dúzia de silhuetas ele migrou para a marca do Swoosh, colocando a linha Black Mamba em questão.

 

 

 

Kanye West - Da Nike para a Adidas

(Foto Fortune)

Antes de toda euforia da linha YeezyKanye West já estava "tentando" ser como um Michael Jordan no mundo dos de tênis mais colecionáveis da cena. Além de seu impressionante catálogo de colaborações com a BAPE e Reebok, ele tinha a distinção de estar por trás do primeiro tênis com a assinatura de um "não-atleta" da Nike. 

Obviamente, a linha chegou até ser conhecida, a Air Yeezy. Mas o rompimento se deu porque ele acreditava que a marca não fazia propaganda o bastante de seus tênis e não o levavam a sério. Além de que a Nike, se negava a pagar royalties pelo produto, porque Kanye não era um atleta profissional. 

A repercussão da "conturbada" parceria de Kanye com a Nike foi seguida de um acordo histórico do rapper com a Adidas no final de 2013.

A Adidas divulgou um comunicado para informar e oficializar a novidade: "Para 2014, nós damos boas vindas à família Adidas um dos ícones culturais mais influentes desta geração, Kanye West. Famoso por quebrar as fronteiras entre música, cinema e design e em parceria com a nossa história na cultura street e inovações no esporte, estamos ansiosos para a criação de um novo capítulo. Detalhes a seguir".

Tudo bem para ambas as partes, mas a Adidas não era a única marca com a qual Kanye estava conversando depois de deixar a Nike. Ele afirma que também recebeu uma oferta da Puma. Mas segundo Kanye: "o cara que não me contratou na Puma definitivamente precisa perder o emprego"