Coronavírus: Indústria de calçados demite 24 mil no Brasil e perde 100 mil empregos nos Estados Unidos

Coronavírus: Indústria de calçados demite 24 mil no Brasil e perde 100 mil empregos nos Estados Unidos

Por RODRIGO DHAKOR

Sem demanda de consumo com lojas e shoppings fechados para evitar a proliferação do novo coronavírus, a indústria calçadista começa a demitir. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima 24 mil demitidos no país.

No Rio Grande do Sul, são cerca de 3.000 demitidos. O setor emprega diretamente cerca de 270 mil pessoas no Brasil e 90 mil no estado. Parte significativa desses empregados está em férias coletivas, afirma João Batista Xavier da Silva, presidente da Federação dos Sapateiros-RS (Federação Democrática dos Trabalhadores da Indústria do Calçado dos Trabalhadores da Indústria do Calçado).

Por isso, o temor é que haja mais demissões no retorno das férias, diz Silva. Segundo ele, há um efeito cascata na redução da demanda. "Algumas fábricas pequenas, que forneciam para as maiores, fecharam e não vão abrir mais. A grande empresa retirou produção externa e manteve apenas a interna", diz o sindicalista.

"Entendemos que as empresas precisam retornar ao trabalho como forma de sobrevivência, de manutenção dos empregos e de redução dos impactos econômicos. Porém, ao mesmo tempo, há a necessidade de preservação da saúde dos nossos trabalhadores. Neste cenário, estamos trabalhando para que, quando for possível, tenhamos um retorno seguro das atividades do setor calçadista nacional", disse o presidente da Abicalçado, Haroldo Ferreira, em nota.

(Foto Polo SC)

Com polos nas regiões gaúchas do Vale dos Sinos e Vale do Paranhana, o ramo calçadista possui cerca de 2.000 indústrias no Rio Grande do Sul, incluindo os ateliês, representando 33% do total do país.

Ainda não é possível precisar as perdas com as exportações de calçados após as novas medidas relacionadas às fronteiras, mas o primeiro bimestre teve queda de 10,7% em receita e 8,5% em volume em relação ao ano passado, diz a Abicalçados.

Segundo os últimos dados (por amostragem) de pesquisa da Abicalçados em relação aos impactos da COVID-19 no setor, são:

Demissões (23/03 a 17/04)
Brasil: 24.400 postos
SP: 7.900 postos
RS: 5.500 postos
MG: 5.000 postos
SC: 2.500 postos
NE: 3.300 postos

Principais problemas reportados: 84% cancelamento de pedidos; 75% postergação de faturamento/entrega de pedidos.

51% das empresas do setor estão paralisadas
23% sem previsão de retorno

Estimativa de impacto na produção de calçados
1º trimestre: - 14,2%
2º trimestre: - 49%
1º Semestre: - 31,8%
2º Semestre: - 22%
Ano 2020: - 26,5%

Estimativa de impacto nas exportações de calçados
1º trimestre:- 8,5% (efetivada)
2º Trimestre: - 46,4%
1º Semestre: - 23,2%
2º Semestre:- 31,3%
Ano 2020: -27,3%

Nos Estados Unidos, mais de 100.000 empregos na indústria de calçados já foram perdidos à medida que o coronavírus destrói a economia dos Estados Unidos. Agora, os líderes comerciais estão buscando uma extensão do plano de adiamento de impostos do governo, que, segundo eles, poderia ajudar a evitar ainda mais baixas na força de trabalho.

Em uma carta endereçada à Alfândega e Proteção de Fronteiras e ao Departamento do Tesouro, os Distribuidores e Varejistas de Calçados da América pedem ao governo que adiem o pagamento de impostos e taxas de importação pelo resto do ano.

O adiamento de impostos, de acordo com o grupo comercial, é uma "maneira fácil" de garantir que as empresas de calçados permaneçam líquidas e retenham trabalhadores em um momento em que os fundos estão ficando cada vez mais baixos em meio à crise da COVID-19.

(Foto Getty Images / NurPhoto)

"Isso liberaria o capital necessário para ajudar as empresas americanas de calçados a permanecerem nos negócios e preservar empregos nos Estados Unidos", escreveu o presidente e CEO Matt Priest em comunicado à FN"Esses impostos ainda seriam pagos - apenas em uma data posterior - para que não haja perdas para o governo federal", finalizou.

Abril marcou o pior mês para a força de trabalho dos Estados Unidos desde que o governo começou a rastrear os dados no início da Segunda Guerra Mundial. De acordo com o Departamento do Trabalho, os empregadores perderam mais de 20,5 milhões de empregos no mês passado, e a taxa de desemprego subiu para 14,7%, com dezenas de lojas, escritórios e empresas fechando suas portas por semanas. 

Muitos empregadores não essenciais foram forçados a demitir ou dispensar seus trabalhadores, levando mais de 33 milhões de pessoas a solicitar subsídios de desemprego desde meados de março.

No mês passado, o presidente Donald Trump permitiu que as empresas americanas atrasassem seus pagamentos em uma série de tarifas de importação, numa tentativa de impulsionar a economia. O atraso de 90 dias foi estendido aos importadores que sofreram "dificuldades financeiras significativas" durante o surto, mas que ficaram aquém da eliminação dos direitos buscados por organizações comerciais e varejistas.

Em uma pesquisa, a FDRA informou que 70% dos executivos de calçados esperam que as vendas caiam de 20% a 40% em 2020. Além disso, os entrevistados sugerem que pode demorar de seis meses ou mais para que as empresas voltem às operações normais na cadeia de suprimentos.

"Fortalecer nossas empresas de calçados durante esse período difícil é vital para nossos trabalhadores, suas famílias e as comunidades que eles apóiam", acrescentou Priest. "Esperamos que tudo esteja da melhor forma possível para salvar nossa economia".

 


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