Google e a possível abordagem falha ao testar reconhecimento facial

Google e a possível abordagem falha ao testar reconhecimento facial

Por RODRIGO DHAKOR

Por Rodrigo Dhakor

Os smartphones Pixel 4 e o Pixel 4 XL serão lançados em breve com um sistema de reconhecimento facial que promete ser bastante preciso. Só que essa sofisticação toda pode ter tido como base uma prática de teste questionável.

Uma empresa contratada pelo Google teria usado, sem consentimento, imagens de moradores de rua, estudantes universitários e pessoas de pele escura para aferir a tecnologia.

Para a companhia é importante ter um banco de imagens extenso e diversificado para evitar que a sua tecnologia de reconhecimento facial falhe de modo a parecer que houve discriminação racial.

Mas também é importante que os procedimentos de coleta de imagens sigam princípios éticos e morais. E é nesse "quesito" que o Google pode ter falhado, ainda que sem intenção.

(Foto NY Daily News)

Uma apuração feita pelo New York Daily News aponta que a Randstad, agência contratada para o registro dos rostos, não teria informado aos participantes sobre a finalidade do procedimento.

A reportagem afirma que a Randstad contratou trabalhadores temporários para abordar moradores de rua em Atlanta, estudantes de diversas universidades, participantes de um festival em Los Angeles, entre outras pessoas, para encontrar voluntários dispostos a participar de uma pesquisa.

(Foto NY Daily News)

Até aí, nada de anormal. Porém, vários trabalhadores disseram ao New York Daily News que foram instruídos a abordar principalmente pessoas com pele escura e a não dizer aos participantes que seus rostos seriam gravados.

Para convencer as pessoas abordadas, os participantes tiveram que usar argumentos como "brinque com o celular por alguns minutos e ganhe um gift card" e "teste este aplicativo e ganhe US$ 5". Também houve aqueles que foram instruídos a dizer que o objetivo da abordagem era testar um aplicativo de selfies semelhante ao Snapchat.

O mais importante era não revelar que o rosto do participante estava sendo gravado. Se algum deles desconfiasse, era necessário negar que a gravação estava sendo feita e, se fosse o caso, acelerar a conversa antes que a pessoa se recusasse a participar.

(Foto NY Daily News)

Os trabalhadores também teriam recebido instruções para abordar moradores de rua porque "eles são menos propensos a dizer alguma coisa à mídia". Quanto aos universitários, também teria havido incentivos para abordá-los porque, como eles geralmente têm orçamento apertado, tendem a topar mais facilmente participações em pesquisas remuneradas.

Até o fechamento (04), o Google informou que está levando a sério as denúncias contra a Randstad e que irá investigá-las. A companhia também explicou que as abordagens, se confirmadas, violam as suas condições para pesquisas com voluntários. Porém, não ficou claro quais medidas a companhia irá adotar se as irregularidades forem comprovadas.