NBA pode optar por usar Oura Ring no decorrer da temporada

NBA pode optar por usar Oura Ring no decorrer da temporada

Por RODRIGO DHAKOR

A NBA, que espera retomar a temporada no dia 30 de Julho, anunciou que está oferecendo aos jogadores um anel que, segundo os criadores, pode rastrear dados de saúde do usuário e antecipar se ele está prestes a apresentar sintomas do novo coronavírus. Mas ainda não há muitas informações sobre como o dispositivo funciona.

O "Oura Ring", que vale US$ 299,00 (Aprox. R$ 1.594,72) foi projetado para monitorar sono, pulsação, movimentação, atividade cardíaca e temperatura corporal, segundo o site da empresa que desenvolveu o produto. Alguns médicos estão cautelosos com relação ao potencial da peça.

"Não há muitos dados no momento. Vi alguns estudos, a maioria deles publicados pela fabricante do dispositivo", disse Darria Long, médica do setor de emergências e professora assistente na Universidade do Tennessee

 

O anel é um entre outros seis aparelhos portáteis que estão sendo estudados para verificar se podem detectar os sutis sintomas da infecção pela COVID-19. Uma equipe do instituto de pesquisa Scripps está analisando o potencial do Apple Watch, além dos aparelhos da Fitbits, Garmin e outras marcas para ver se eles podem monitorar de forma precisa temperatura, batimentos cardíacos, sono e movimentos diários de uma pessoa, e usar as mudanças nesses dados para identificar o início de uma infecção.

Poucas evidências sugerem que a pulsação e a temperatura podem mudar antes que as pessoas comecem a notar os sintomas de infecções, como gripe. Um estudo publicado há poucos meses mostrou que o dispositivo da empresa Fitbit captou dados de sono e batimento cardíaco de cerca de 200 mil pessoas, e eles mostraram que as mudanças nesses dados pareciam sincronizadas com a epidemia de gripe sazonal.

As fabricantes desses dispositivos precisam, primeiro, provar que seus produtos podem medir de maneira precisa e reportar dados como temperatura e batimentos cardíacos de uma pessoa. Relógios inteligentes (smartwatches) têm trabalhado para resolver essa questão há anos. Não é fácil monitorar o batimento cardíaco de um ponto na superfície do pulso. Tentar fazer essa medição através de um anel é um jeito novo e ainda menos testado.

Em seguida, as fabricantes devem mostrar que essas informações podem detectar, precisamente, uma infecção. "Não podemos usar [esses dispositivos] para dar uma falsa sensação de segurança. Precisamos pensar nisso como dados e ideias em pesquisa no momento", finaliza Long.

(Foto Oura)

O Oura Ring ainda não recebeu aprovação da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, para monitorar dados de saúde. Em 2018, a agência aprovou dois aplicativos da Apple para monitorar fibrilação arterial (irregularidade comum do ritmo cardíaco que pode levar a um acidente vascular cerebral), além de batimentos muito lentos ou muito rápidos.

Os protocolos da saúde e segurança da NBA mencionam o anel, mas dizem pouco a respeito de sua utilização. "Para promover os esforços de identificar potenciais doenças, na chegada ao campus, cada jogador e funcionário essencial da equipe terá a opção de participar do processo que usa um dispositivo portátil (usado como um anel), que está sendo estudado e validado pela Universidade de Michigan, para gerar uma avaliação de bem-estar derivada de métricas como temperatura corporal e taxas de respiração e batimento cardíaco. A NBA vai compartilhar mais detalhes sobre o dispositivo e o processo de participação em um memorando que será enviado em breve às equipes", descreve o protocolo.

A liga esclareceu também por seu representante sênior que todos os dispositivos portáteis, incluindo anéis como o da Oura, são completamente de uso voluntário e que nenhum jogador será forçado a usá-los.