As Olimpíadas de Inverno 2026, realizadas em Milão e Cortina d'Ampezzo, começaram oficialmente com as fases preliminares, mas já provaram que o espetáculo vai muito além do gelo. Antes mesmo das disputas ganharem ritmo total, os uniformes das delegações passaram a dominar as conversas. O apuro estético, as referências culturais e um styling cada vez mais elaborado mostram que o visual olímpico deixou de ser apenas técnico, ele agora comunica narrativa, identidade e desejo.
Esse movimento não surge por acaso. A aproximação entre moda e esporte vem se intensificando nos últimos anos e ganhou força decisiva após as Olimpíadas de Jogos Olímpicos de Paris 2024, quando marcas de luxo assumiram papel estratégico na construção dos uniformes. Em 2026, essa relação amadurece para a moda, com visibilidade global, para o esporte e sofisticação. Duas indústrias gigantes que hoje caminham juntas, transformando cerimônias de abertura em verdadeiras passarelas de alcance mundial.
Entre os destaques, a delegação do Haiti surge com assinatura de Stella Jean, celebrando a riqueza cultural do país com peças vibrantes e estampas de cavalos, símbolo de força e resistência. A Mongólia mantém o alto nível com a Goyol Cashmere, reinterpretando o deel tradicional em versões sofisticadas de cashmere. O Brasil marca presença com a colaboração entre Moncler e Adidas, trazendo tons off-white, reforços estruturais e uma estética quase futurista, enquanto a performance em verde, branco e amarelo reforça os códigos nacionais.




(Time Haiti, Mongólia e Brasil - Fotos: Reprodução / Instagram)
O Canadá segue com a Lululemon, os Estados Unidos mantêm a tradição com a Ralph Lauren, o Reino Unido aposta na herança da Ben Sherman em colaboração com Tom Daley, a Noruega reforça tradição com a Dale of Norway e a França mantém elegância técnica com a Le Coq Sportif.





(Time Canadá, EUA, Reino Unido, Noruega e França - Fotos: Reprodução / Instagram)
Além do impacto imediato nas cerimônias e competições, essas colaborações apontam para um movimento maior: o uniforme olímpico como extensão do mercado de moda global. As peças deixam de existir apenas no contexto esportivo e passam a circular em editoriais, campanhas e no streetstyle internacional. Em Milão e Cortina, o que se vê é a consolidação de uma nova lógica, onde tradição, tecnologia e identidade cultural se encontram para transformar delegações em plataformas de expressão criativa.
No fim, as Olimpíadas de Inverno 2026 consolidam um cenário em que performance e estética caminham lado a lado. Se antes o uniforme era apenas ferramenta funcional, hoje ele é discurso, posicionamento e estratégia global. Entre herança cultural e inovação têxtil, o evento confirma que, no maior palco do inverno, estilo também compete e a influência da moda já faz parte definitiva do jogo.