Hidrólise: Como cuidar do seu tênis e prevenir a deterioração

Hidrólise: Como cuidar do seu tênis e prevenir a deterioração

Por STAFF THE GAME

Por Rodrigo Dhakor

A hidrólise é um processo comum nos solados de tênis feitos em Poliuretano (PU), e acontece quando esses são expostos a certos níveis de temperatura e umidade ou armazenados em condições improprias, havendo então a deterioração da sola, desgaste do material que tende a "esfarelamento", causado o conhecido pelos sneakerheads de "efeito ricota" ou simplesmente hidrólise.

(Foto Patricia McLaughlin)

As solas de poliuretanos conquistaram uma boa aceitação devido á sua leveza, conforto e durabilidade. Porém, com o passar do tempo muitos se queixam de problemas com as solas, decorrentes principalmente depois de um período prolongado de armazenamento.

O poliuretano é composto de dois componentes, poliol e isocianato que são misturados num cabeçote imediatamente antes da injeção ou derrame nos moldes. Dois tipos mais comuns de poliuretano são usados na fabricação de solas: Poliéster e poliéter. O mais usado é poliéster pelas suas melhores características gerais e por ser resistente ao óleo.

(Foto Aaron)

A deterioração ocorre pela ação química da água, que nem precisa ser líquida. Basta ser vapor d'água num ambiente úmido. Basicamente, o solado do seu tênis resseca por que perde água para o ambiente e vai quebrando em partículas cada vez menores, esfarelando, trincando, quebrando ou se desmanchando como um pedaço de queijo.

A extensão do dano depende muito da temperatura, umidade e do tempo da exposição. Em condições temperadas pode demorar vários anos antes que as solas de poliuretano atinjam um nível crítico de deterioração, mas em condições tropicais ou sub-tropicais, em lugares mal ventilados, úmidos e quentes a hidrólise é acelerada.

Para "prevenir", recomenda se armazenagem em temperaturas abaixo de 30°C e umidade relativa do ar abaixo de 70% (o que as vezes no Brasil, principalmente na época das chuvas pode ser difícil de ser alcançado).

Existe uma bateria de testes, que pode prever com razoável exatidão o comportamento das solas no futuro uso. Mas a hidrólise é um fator inevitável, dado pela própria natureza do material, determinante da deterioração, embora um ataque micro-biológico, agravado pelas condições ambientais também tenha grande influência na durabilidade do produto.

(Foto Arquivo Pessoal)

E Quais são as consequências práticas para o fabricante dos tênis com esses solados, do calçado injetado e do lojista?

A ocorrência da hidrólise é muito mais consequência do armazenamento impróprio, do que das condições de uso. Embora, principalmente em calçado de trabalho ou de segurança as condições adversas podem acelerar o processo de hidrólise. A contagem decrescente para o problema começa na hora da injeção, ou da moldagem e não a partir da venda, ou da expedição. A ocorrência do problema depende muito mais das condições de armazenagem do que a diferença do tempo entre a manufatura e o uso.

Internacionalmente, existem países que oferecem recursos para devolução ou reembolso, se o tênis apresentar problema até 18 meses após a compra. Se a queixa ocorrer entre 18 a 36 meses, sugere-se a indenização de 50% e após 36 meses não há justificativa para reclamação. 

Para evitar ao máximo a deterioração precoce, o tênis deve ser completamente seco antes de ser fechado em sacos plásticos, caixas ou armários. A umidade é o veneno para o sneaker com essa característica.

Existe a corrente dos que preferem isolar o produto do contato com o ar, através de filmes plásticos e/ou [em casos mais extremos] fechamento a vácuo.No primeiro caso seria necessário checar se o filme plástico realmente não permite a passagem de ar através de porosidades. Já no segundo, é necessário garantir que o sistema tenha sido operado corretamente de modo a retirar-se todo o ar possível de dentro do invólucro. Em ambos os casos é preciso certificar-se de o que o produto esteja seco no momento do seu armazenamento, de modo a evitar que a reação ocorra por dentro da embalagem.

(Foto Nike Talk)

Outra forma de conservação, que utiliza como princípio o controle da umidade, é o uso da sílica gel. Até a própria cadeia produtiva usa o produto quando da sua exportação, por ser fácil de encontrar e barato.A sílica retém a umidade do ar através da adsorção física, processo por meio do qual moléculas de água ficam retidas nos poros do dessecante e que faz necessária a troca periódica do material já saturado. É comum usar a sílica gel dentro de sacos do tipo ziploc ou até mesmo em conjunto com o fechamento a vácuo, assim maximizando a eficácia da prevenção da hidrólise. Outro ponto a se considerar é o tipo de diisocianato utilizado na produção do PU e a adição de estabilizantes na sua fórmula: se o diisocianato é do tipo MDI a resistência à hidrólise aumenta consideravelmente, entretanto, seu preço também acompanha esse aumento. O mesmo acontece com os aditivos e estabilizadores.

O cuidado com a durabilidade dos poliuretanos, e sua resistência à hidrólise, no Brasil é tomado pela ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas — que desenvolve, periodicamente, instruções normativas específicas para cada um dos diversos usos do material, o que inclui sua aplicação nas áreas superior e inferior nos calçados esportivos.