Nike é chamada de comunistas após recall do "Betsy Ross Flag" Air Max 1

Nike é chamada de comunistas após recall do "Betsy Ross Flag" Air Max 1

Por RODRIGO DHAKOR

Por Rodrigo Dhakor

A Nike fez um recall (uma solicitação de devolução de um lote ou de uma linha inteira de produtos) em seu lançamento planejado para acontecer no feriado de 4 de julho, dia da Independência americana, depois que o ex-jogador da NFL Colin Kaepernick destacou que um elemento do tênis era ofensivo para muitos, informou a rede CNBC

A silhueta em questão, o Nike Air Max 1 "Betsy Ross Flag" USA, possui em seu cabedal uma bandeira americana de 13 estrelas, conhecida como “Betsy Ross Flag”, usada durante o período da Revolução Americana. 

 

(Fotos Nike)

Um relatório do Wall Street Journal afirma que Kaepernick contatou funcionários da Nike para expressar seu descontentamento com o uso de uma bandeira usada durante o período da escravidão.

Após todo episódio, em uma declaração obtida pela CNBC, a Nike relatou que "a marca optou por não lançar o modelo no feriado de 4 de julho, uma vez que apresentava uma versão antiga da bandeira americana". E as lojas que estavam se preparando para lançar o tênis na quinta-feira foram convidadas a devolver o estoque.

Acompanhando a polêmica em torno do recall, o filho do presidente Trump, Donald Trump Jr., se manifestou e expressou sua opinião sobre o cancelamento.

Por meio do Twitter, Donald Trump Jr. escreveu que: “Se a Betsy Ross Flag, a bandeira da Revolução Americana, for muito ofensiva para a Nike comemorar o da 4 de julho, talvez a Nike deva seguir com isso… parece estar mais de acordo com seus pontos de vista.

(Foto Twitter)

 A imagem em anexo possuia um modelo Nike Roshe adornado com um Swoosh substituindo a foice e um martelo, feitos no photoshop e contendo as cores vermelho e amarelo, bem no estilo soviético.

(Foto althistory)

A foice e o martelo eram um símbolo mundial do comunismo no século XX, quando os Estados Unidos e seus aliados travaram a Guerra Fria contra a União Soviética. Recentemente, o presidente Trump e seu filho foram alvos de uma investigação sobre uma possível colusão com o Estado russo durante a campanha presidencial de 2016.

Apesar de a Nike fazer o recall do tênis, alguns pares acabaram em locais de pós-venda, como o StockX, onde supostamente foram vendidos por milhares de dólares. O CEO da StockX, Scott Cutler, escreveu: “Decidimos remover o Nike Air Max 1 USA de nosso site hoje e proibir qualquer venda adicional deste item no @StockX já que a venda deste produto em nossa plataforma não se alinha com nosso sistema de valores."

(Foto Twitter)

Embora o tênis tenha sido removido do StockX,  relatórios anteriores mostram que mais de uma dúzia de pares foram vendidos por mais de US $ 1 mil, com alguns chegando a até US $ 3 mil. A imagem abaixo mostra a página do StockX que confirma detalhes do tênis antes de ser removida.

(Foto StockX)

No meio de todo estrondo, a Nike mais tarde divulgou sua posição, alegando que eles estavam preocupados, que poderiam "ofender sem querer" e prejudicar um feriado patriótico.

"Nós regularmente tomamos decisões de negócios para retirar iniciativas, produtos e serviços", disse a Nike, segundo fontes da Bloomberg.

A empresa também recebeu críticas de membros do Congresso americano, como o senador Ted Cruz, do Texas, que se comprometeu a não comprar mais seus produtos após o incidente.

"Eles agora decidiram que seus tênis representam desprezo pela bandeira americana. [...] eu não comprarei mais. escreveu Cruz em um tweet na última terça-feira.

O presidente Donald Trump não se pronunciou sobre o tweet de seu filho.