Em meio à alta temporada de moda, Gucci enfrenta críticas sobre racismo

Em meio à alta temporada de moda, Gucci enfrenta críticas sobre racismo

Por CONVIDADO THE GAME

por: Bea Partington

A moda nunca foi e está cada vez mais longe de ser apenas sobre roupas, ou calçados ou acessórios. As criações de pequenas e grandes marcas e personalidades traduzem o espírito do tempo (o famoso zeitgeist) e o que o povo vive nesse momento. Atualmente, todos os significados são esmiuçados, discutidos e analisados, independente de sua proporção e as gigantes e mais tradicionais companhias são ótimos exemplos.

Recentemente, em meio aos desfiles nas principais capitais da moda, a Gucci foi acusada de racismo, quando lançou uma blusa de gola alta que foi associada ao blackface. Para quem não sabe, no século 19, negros não podiam participar de peças de teatros e eram encenados por atores brancos, pintados de carvão e maquiados de uma forma que ridicularizava suas representações. E, por coincidência ou não, esse tipo de associação é imperdoável especialmente na Era da informação. Entretanto, assim que o assunto veio à tona os produtos foram retirados de todas as lojas.

Apesar disso, a marca tem sofrido diversas formas de protesto e alertas, inclusive de parceiros como Dapper Dan, personalidades como 50 Cent e o atleta Floyd Mayweather, e clientes nas próprias lojas físicas, que já foram alertadas e orientadas à atender o público de forma especial nessas situações.

Além de medidas comerciais, o CEO Marco Bizzarri comunicou internamente e através das redes sociais, que a marca buscará contratações mais inclusivas e diversas dentro de todos os seus escritórios, para explorar diferentes cenários e garantir mais pontos de vista dentro de todas as equipes para que problemas como esse não se repitam.

Não é a primeira vez que marcas como a Gucci que, mesmo estando cada vez mais próximas de diferentes culturas como o streetwear, são notadas por criações ou posicionamentos contraditórios de seus diretores, como a Dolce & Gabanna, Prada e  Marc Jabos. 

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Vale lembrar que, seja Gucci ou seja a marca de pequenos estilistas e até amigos próximos, é sempre importante respeitar culturas, símbolos e ter em mente que o mundo é mais diverso do que a nossa bolha.