Louis Vuitton volta o relógio com a coleção de Outono/Inverno 2020

Louis Vuitton volta o relógio com a coleção de Outono/Inverno 2020

Por Felipe Bichara

Por Matheus Castro

O convite para o desfile de Outono/Inverno masculino da Louis Vuitton foi um relógio que girava no sentido anti-horário, dizendo a hora em logos "LV" no lugar de números. Uma pista sobre o que estava por vir: uma literal e figurativa volta ao passado. Com o começo do show, ficou claro que não uma rebobinada à uma específica era, mas à nostalgia aconchegante dos tempos da infância. O cenário foi coberto totalmente em céu azul e nuvens macias, o chão pontilhado com enormes versões das ferramentas de alfaiate: uma régua gigante ou um rolo de fios e alfinetes de costura espalhados em torno de uma árvore.

Uma geração de homens, incluindo Virgil Abloh, que atingiu a maioridade em um mundo transformado de maneira dramática em termos de códigos corporativos, vestuário de trabalho e de fato as regras, expectativas e conversas sobre a masculinidade. Como resultado, a infância e adolescência agora parecem estar cada vez mais presentes na vida adulta. Agora, a moda é o brinquedo favorito do garoto. Os homens do desfile da Louis Vuitton, parecidos com bonecos "Action-Man" adultos, com arnês de couro e monogramas camuflados, testemunharam a ideia de viver sua melhor infância. Você pode perceber o porque de ser uma perspectiva tão sedutora para as crianças reais no Jardins de Tullieres a caminho do desfile, e porque todas são obcecadas pelo universo criado por Virgil para a linha masculina da Louis Vuitton.

“Olhar para o mundo através da ótica de uma criança - de um adolescente ou jovem - é o mesmo que as primeiras impressões, a pureza da mente e o otimismo refrescante da ingenuidade”, dizia as notas do show. A coleção em si era menos sobre os símbolos da juventude e mais sobre uma percepção jovem de envelhecer. Ele aproveitou o fascínio da infância por coisas adultas, de um dia conseguir um emprego, ir a um escritório e usar terno e gravata. Portanto, é claro que a alfaiataria era a referência, reinterpretada de inúmeras maneiras. Códigos de vestuário corporativos retrô - eles ainda existem? - foram reimaginados em silhuetas esbeltas, torcidas aqui e ali com energia renovada. Os blazers clássicos da grife vieram com a assinatura da Virgil-Vuitton, que usava calças de cintura alta e botas chelsea pontuadas - às vezes com coletes ou casacos de peles por cima, sempre com uma gravata fina bem presa. "Não quero rejeitar o sistema corporativo - reivindicar e distorcer", disse Virgil.

Possivelmente sua melhor coleção até agora. Defendendo as linhas familiares e limpas da moda masculina clássica para uma geração de homens que provavelmente não possuem gravata. As partes finais do desfile tinham camisas e ternos extravagantes cheios de babados, enfeitados com poeiras estelar ou combinados inteiramente com o céu azul do cenário. 

Havia diversão para se ter nessas roupas, não apenas a monotonia de um trabalho sério no escritório. Para as crianças que, sem dúvida, estarão olhando para esta coleção, é uma mensagem poderosa: você pode ser o que quiser, fazer o que quiser, vestir da maneira que quiser - o céu é o limite.