O Que Esperar das Semanas de Moda em Setembro?

O Que Esperar das Semanas de Moda em Setembro?

Por Matheus Castro

Um modelo de negócios insustentável

Não é de hoje o debate e o questionamento sobre a maneira como as coleções de moda são apresentadas. A indústria da moda, atualmente, é responsável por entre 8% a 10% das emissões globais de gases estufa, poluindo mais do que o setor de aviação e marítimo juntos. O volume, a velocidade e a efemeridade tornam o modelo de negócios simplesmente insustentável.

Em maio deste ano, três grupos distintos exigiram mudança na forma como a indústria apresenta e consome novas coleções. Primeiramente, Dries van Noten ao lado de outros designers e executivos escreveram uma carta aberta. Logo após o manifesto, outro grupo de criativos incluindo Gabriela Hearst e Phillip Lim lançou um plano para resetar a moda. Por último, o Conselho de Designers de Moda da América (CFDA) e o British Fashion Council (BFC) - os dois maiores grupos comerciais dos EUA e do Reino Unido, respectivamente.

Todos os três expressaram preocupações semelhantes de que há muita produção, muito desperdício e que tudo deve ser simplificado, levando em consideração o real desejo dos consumidores e quanto estão gastando. O tradicional modelo já não faz mais tanto sentido para algumas marcas como Gucci, Saint Laurent, Alexander Wang, Off-White, Mugler, Armani etc que optaram por desacelerar o ritmo e adotar seus próprios calendários. Para outras, como Chanel, pular fora do barco não parece ser tão interessante para os negócios. 

No entanto, com a pandemia da Covid-19, todos se viram obrigados a repensar seus modelos de negócios e a adotar o mesmo modelo de apresentação. Para o Paris Fashion Week, primeira experiência digital, era nadar ou se afogar. Foram diversas apresentações por meio de pequenos filmes e lookbooks. E, ao contrário do que muitos possam ter achado (inclusive quem vos fala), desfiles de moda digitais não são lá tão sustentáveis assim.

Considerando que a indústria da tecnologia da informação e comunicação é responsável por aproximadamente 2% das emissões globais de CO2, se igualando ao setor da aviação, devemos lembrar da infraestrutura do backstage nestes desfiles digitais. As produções de vídeo, os massivos centros de dados e servidores necessários para hospedar estes vídeos online contribuem para as emissões de gases estufa. À medida que marcas adotam a tecnologia 3D e a realidade virtual (VR), este impacto digital tende a aumentar. 

Como o fenômeno dos desfiles digitais ainda é recente, não há dados para serem concluídos a respeito do seu real impacto no meio ambiente. Por isso, a semana de moda de Helsinki se uniu à empresa de tecnologia sueca Normative para calcular a pegada de carbono para a edição online da temporada.  Com estes dados, a serem lançados ainda este mês, será possível medir os impactos em relação à desfiles físicos e assim começar a tomar decisões sobre como fazer diferente. 

 

O que esperar para a temporada de verão 2021 em setembro?

A menos de um mês dos desfiles, órgãos responsáveis pela organização dos eventos das principais capitais (Nova York, Milão, Londres e Paris) se manifestaram a respeito de como será o andamento dos eventos. A Camera Nazionalle della Moda Italiana divulgou um calendário provisório para os shows do Milan Fashion Week, o qual contará com a estreia oficial de Raf Simons na Prada. O evento acontece de 22 a 28 de setembro em formato dividido entre físico e digital. Ao total, serão 28 desfiles presenciais 24 apresentações online. 

Dentre as marcas que optaram pelo modelo online estão Missoni e DSquared2. Ambas possuíram um tempo maior para produzir suas coleções, por isso, há expectativas de vermos algo interessante. Já as que decidiram pelo formato físico estão, Prada, Fendi, Marni, Versace e Salvatore Ferragamo. Estas terão de seguir protocolos de segurança que vão desde a redução no número de convidados até a escolha de um local aberto. No entanto, é importante refletirmos se já é hora dos desfiles presenciais retornarem.

Com casos do vírus aumentando novamente na França e Itália, há incerteza significativa sobre como estes shows realmente irão parecer e quem irá comparecer. Em Paris, a Federação da Alta Costura e Moda prometeu uma semana onde são esperados destaques como a estreia de Matthew Williams na Givenchy. Quanto ao formato, ainda não há informações oficiais publicadas pela entidade, mas ao que tudo indica, os desfiles devem acontecer de maneira física entre 28 de setembro a 6 de outubro.

Sobre Nova York e Londres, as últimas atualizações são que o Council of Fashion Designers of America optou pela realização do New York Fashion Week de maneira reduzida entre os dias 14 a 16 de setembro. A dinâmica será por meio de um formato remoto, ainda em andamento, chamado de Runway360. Já o British Fashion Council informou que o London Fashion Week ocorrerá entre 18 a 22 de setembro em apresentações tanto físicas quanto digitais.