Cleantechs tentam despoluir a China com tecnologia

Cleantechs tentam despoluir a China com tecnologia

Por RODRIGO DHAKOR

Um dos principais pilares dos famosos "planos quinquenais" da China, porém, é o combate à poluição. É uma política de Estado "tornar as cidades limpas e o campo verde e livre de poluentes", conforme texto oficial. A meta estipulada é de reduzir em 40% a emissão de dióxido de carbono, no país, até 2040, data em que o saldo líquido de CO2 deverá ser zero, já que mecanismo de compensação e captação de carbono serão criados. 

O país asiático se tornou o maior poluidor do planeta ao abastecer o mundo com produtos industrializados e permitir a ascensão à classe média de mais de 700 milhões de pessoas no seu mercado doméstico. 

A decisão em (tentar) evitar a catástrofe do clima tornou-se uma oportunidade trilionária para as empresas que desenvolvem soluções baseadas em tecnologia limpa, as chamadas Cleantechs. Segundo a prestigiosa universidade Tsinghua, a China deverá investir U$ 15 trilhões no setor, nas próximas duas décadas, para cumprir seus objetivos.

(Poluição chinesa no ar - Foto: Getty Images)

Uma das startups beneficiadas por este fluxo de investimentos é a Dog (ou Xiaohuanggou, em chinês) que espalha máquinas de separação e reciclagem de lixo em 41 mil pontos do país. Nestas máquinas, moradores de condomínios podem (devem, na verdade) depositar plástico, papel e vidro em locais separados.

Cada morador (e seus respectivos sacos de lixo) é identificado por QR code, lido pelas máquinas. O cidadão que recicla com mais eficiência ganha medalha da prefeitura e, melhor parte, descontos progressivos no imposto local, o equivalente ao IPTU

Aplicativos onipresentes na sociedade chinesa, como o AliPay, do grupo Alibaba, integram miniapps como o da Dog e oferece recompensas, em dinheiro, a quem levar seu lixo para pontos de reciclarem recomendados pela aplicação.

Além da produção de lixo nas megacidades chinesas, é um desafio prioritário reduzir os poluentes emitidos pela frota de carros. Neste aspecto, a China detém a liderança mundial já que é o país com mais carros elétricos rodando em todo mundo.

(Gráfico da consultoria Goldman Sachs aponta quais indústrias devem receber a maior parte dos U$ 16 trilhões em investimentos - Foto: Reprodução)

Nio, fabricante de carros elétricos por exemplo, oferece em grandes cidades como Pequim e Xangai um engenhoso sistema de "troca da bateria". Você para seu carro em um ponto de troca, um elevador o levanta e em 5 minutos a bateria descarregada de seu carro é substituída por outra, cheinha.

O país é também o que mais usa energia solar em sua matriz energética e o maior fabricante mundial de painéis que captam o calor do sol e o transformam em eletricidade.

De acordo com relatório do Banco Mundial, a adesão da China à implementação de tecnologias limpas de geração de energia e processamento de lixo é essencial para conter o avanço do aquecimento global, já que se trata de um país com forte impacto sobre a economia global.

O estudo afirma, no entanto, que apesar dos bons esforços em mobilidade e tratamento de resíduos sólidos, a China anda devagar, quase parando, na recuperação de suas florestas, devastadas nas décadas de ascensão mais acelerada para dar espaço à agricultura e produção de carvão.


✔️ Produto adicionado com sucesso.