iPhone 12 marca início de uma nova era de tecnologia de chips

iPhone 12 marca início de uma nova era de tecnologia de chips

Por RODRIGO DHAKOR

Apple anunciou o lançamento de seus novos iPhones, e eles são os primeiros aparelhos no mundo a serem alimentados por um novo tipo de chip.

Detalhes da empresa sugerem que os novos aparelhos permitirão que os donos editem vídeos em 4K (uma das melhores resoluções possíveis para imagens), aprimorem fotos de alta resolução e joguem videogames com uso gráfico mais nítido do que era possível antes, tudo isso usando menos bateria.

O processador de cinco nanômetros (5 nm) envolvido se refere ao fato de que os transistores do chip foram reduzidos, os minúsculos interruptores "liga-desliga" agora têm apenas cerca de 25 átomos de largura, permitindo que bilhões deles sejam acrescentados, e isso significa mais poder de processamento.

(Foto Getty Images)

Há apenas quatro anos, muitos especialistas do setor duvidavam que essa tecnologia viria tão cedo. Isso tem acontecido em grande parte devido à engenhosidade de uma empresa holandesa relativamente obscura , a ASML.

A ASML foi a pioneira em criar uma maneira de esculpir padrões de circuitos no silício por meio de um processo chamado litografia ultravioleta extrema (EUV, na sigla em inglês).

Suas máquinas custam U$ 123 milhões (R$ 680 milhões) cada, o que é caro mesmo para os padrões da indústria de semicondutores. Mas atualmente a ASML é a única empresa que produz tais máquinas de chips. E elas ainda são mais econômicos do que as opções alternativas, em parte por causa do seu baixo índice de defeitos. A ASML diz que sua tecnologia é como trocar uma caneta hidrocor por uma de bico fino.

Mas, em vez de tinta, a tecnologia usa o que chama de "luz fraca" gerada por meio de um processo complicado.

"Pegamos uma gota derretida de estanho e disparamos um laser industrial de alta potência sobre ela, que basicamente a vaporiza e cria um plasma, e esse plasma brilha com luz ultravioleta.", explica o porta-voz da empresa Sander Hofman.

"Isso tudo acontece 50 mil vezes por segundo, então 50 mil gotas são atingidas, o que cria luz suficiente para ser capturada com uma série de espelhos, os espelhos mais achatados do mundo", salienta.

Um molde do chip é codificada na luz passando-a por uma máscara e encolhendo-a com lentes. Em seguida, a luz atinge um revestimento sensível ao brilho em um wafer de silício, fazendo com que o design do chip seja "impresso".

Apenas dois fabricantes de chips colocaram isso em uso comercial até agora.

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), único fornecedor do A14 para a Apple para seus mais recentes iPhones, iPads e computadores Mac.

E a Samsung, que está fazendo um novo processador Qualcomm para telefones Android, com lançamento oficial previsto para Dezembro.

(Foto Getty Images)

Cada uma das duas empresas possui uma participação na ASML juntamente com a Intel, que também deve começar a usar a tecnologia em 2021.

Mas um concorrente notável foi colocado para fora da competição.

A Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC) da China supostamente fez um pedido, mas o governo dos Estados Unidos interveio para impedir que a máquina da ASML fosse exportada, alegando que sua produção poderia acabar em armamento usado pelos militares chineses.

A SMIC atualmente está várias gerações atrás em tecnologia de chip de 14 nm, e especialistas sugerem que ela precisaria de um bom tempo para dominar o know-how necessário para mudar para 5 nm.