Membrana tecnológica pode ajudar a tornar máscaras N95 reutilizáveis

Membrana tecnológica pode ajudar a tornar máscaras N95 reutilizáveis

Por RODRIGO DHAKOR

A máscara N95 se tornou o braço direito de todos os profissionais de saúde no mundo com a pandemia de coronavírus. No Brasil, a recomendação geral da Anvisa, é que profissionais devem utilizá-la ao atuar em procedimentos com risco de geração de aerossol em pacientes infectados.

Para melhorar o desempenho e durabilidade das máscaras N95, pesquisadores da Sociedade Norte-Americana de Química desenvolveram uma membrana que pode ser colocada em cima do filtro do dispositivo convencional para bloquear mais partículas e tornar o modelo reutilizável.

Mas isso nem sempre é possível devido à escassez do material, que é descartável e deve ser utilizado por no máximo oito horas seguidas. Isso consiste em uma por dia para cada profissional de saúde. 

Máscaras N95 são capazes de filtrar 85% das partículas com menos de 300 nanômetros. Acontece que o tipo de coronavírus por trás da COVID-19, o SARS-CoV-2, tem de 65 a 125 nanômetros. Ou seja, há chances do vírus atravessar a barreira dessas máscaras.

Esse tipo de máscara impede a passagem do vírus em várias camadas, e a eletricidade estática atrai o SARS-CoV-2 para o tecido. No entanto, a umidade causada pela respiração, tosse ou espirro a torna menos eficaz à medida que é usada.

A membrana é destacável, como uma fita, e pode ser colocada em cima do filtro da máscara. Apesar de seus poros serem tão pequenos, o filtro não impede a respiração dos profissionais da saúde: os pesquisadores asseguraram que ele tivesse muitos furinhos. A distância de um poro até outro é de até 330 nanômetros.

Outra vantagem dessa membrana é que ela é hidrofóbica, ou seja, ela consegue se autolimpar: quando acoplada a uma máscara, sua inclinação faz com que gotículas escorreguem para fora dela. Assim, os poros não são entupidos por vírus ou outras partículas.

(Foto REUTERS)

"O modelo flexível pode ser utilizado em uma máscara reutilizável para aumentar a eficiência do filtro contra partículas menores do que 300 nanômetros, como a COVID-19. Além disso, a reutilização da N95 contribui para a melhora na distribuição e escassez do dispositivo", destaca a pesquisa. 

As recomendações e descobertas dos estudos e pesquisas devem ser úteis para instituições que têm profissionais de saúde usando máscaras N95. Com equipamentos de proteção individual em pouca quantidade em vários hospitais sobrecarregados, alguns funcionários da linha de frente, incluindo médicos e enfermeiros, reclamaram que as máscaras estão sendo racionadas.

Cabe salientar que a população em geral tem sido alertada a não usar e nem tentar comprar as máscaras N95, porque estariam privando os profissionais de saúde de equipamentos que salvam vidas.

Máscaras não são infalíveis contra o contágio por coronavírus – mas são muito importantes para a sua proteção pessoal. Mesmo com a falta desses equipamentos em mercados e farmácias, é possível fazer modelos de tecido mais seguros em casa.

É possível conferir as recomendações do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos para a confecção de máscaras caseiras neste link.